OS SENTIDOS DE ÍNDIO NA MARCHA PARA OESTE: UMA ANÁLISE NA MÍDIA JORNALÍSTICA DE MATO GROSSO/MATO GROSSO DO SUL

Pesquisa Written by  Terça, 30 Agosto 2016 00:00 font size decrease font size increase font size
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Com essa pesquisa pretendemos compreender como em Mato Grosso/Mato Grosso do Sul, no momento da marcha

para Oeste, que ocorreu do final da década de 1930 a meados de 1940, os sentidos de “índio” se constituem na relação

com a história e com a sociedade. Consideramos que naquele momento foram constituídos alguns modos de

significação em relação ao indígena que são parte de um funcionamento imaginário que se mantém em nossa

sociedade até hoje, e que afeta os índios atribuindo-lhes alguns lugares de significação e negando outros.

 

 

Desse modo,tomamos os sentidos das palavras como não evidentes, e que se constituem nas relações com a história e com a

sociedade e ainda nas relações que as palavras estabelecem com outras palavras no acontecimento enunciativo

(GUIMARÃES, 2002, 2004, 2007, 2008, 2009, 2011). Para compreendermos esses sentidos será preciso analisar o

funcionamento enunciativo, discursivo e argumentativo do nome “índio” na relação com a expressão marcha para

Oeste em textos jornalísticos publicados no Estado de Mato Grosso/Mato Grosso do Sul. Observaremos como a

palavra “índio” é significada na relação com a expressão marcha para Oeste e como são apresentados argumentos

para sustentar esses sentidos nos textos. Não se trata então de observar o conceito de “índio”, por exemplo, mas de

analisar como essa palavra significa em textos da imprensa de Mato Grosso/Mato Grosso do Sul. Para essas análises

desenvolveremos o Domínio Semântico de Determinação (DSD) (GUIMARÃES, 2002, 2004a) da palavra “índio”,

estabelecido a partir da observação das relações de articulação e reescrituração apresentadas nos textos.

Analisaremos também como os sentidos se constituem nas cenas enunciativas (GUIMARÃES, 2009), que são os

lugares de constituição do sujeito (enunciador, locutor-x), sendo os locutores agenciados a partir de diferentes

discursos, podendo enunciar de diferentes posições-sujeito (PÊCHEUX, 1997; Orlandi, 2005); apresentaremos ainda

como se constitui a argumentação em relação às condições do “índio” na e para a realização da marcha para Oeste

(DUCROT, 1981; GUIMARÃES, 2002a).

(É preciso esclarecer que no período que propomos pesquisar, entre 1939 a 1945, ainda não havia a divisão entre Mato

Grosso e Mato Grosso do Sul. Desse modo, nos referimos a ambos como Mato Grosso/Mato Grosso do Sul devido à

condição/nomeação desses Estados enquanto “Mato Grosso” naquele momento).

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