Pesquisa 32

RELATÓRIO PARCIAL DE PESQUISA PÓS-DOUTORAL

 

A) TÍTULO DO PROJETO DE PESQUISA:

MARCADORES DE PESSOA E SISTEMA DE CASO EM TERENA

 

B) NOME COMPLETO DO COORDENADOR DO PROJETO E DOS INTEGRANTES DA EQUIPE EXECUTORA:

 

VALÉRIA FARIA CARDOSO – COLABORADORA (BOLSISTA PÓS-DOUTORAL/UNEMAT – CAPES/PNDN


Nesta sexta-feira (04/03), às 14:30h a Luciana Gomes da Silva defendeu sua dissertação, Mestrado Acadêmica da UEMS de Campo Grande, pesquisa titulada de “O Discurso da Cobertura Jornalística das Eleições Presidenciais de 2014: uma análise das posições ideológicas da ‘Veja” e “Carta Capital””. O trabalho foi orientado pelo Prof. Dr. Marlon L. Rodrigues, a banca foi composta, além do orientador, pelo Prof. Dr. José Barreto dos Santos, Profa. Dra. Rosimar Regina Rodrigues de Oliveira.


Nesta quarta-feira, às 14 horas, na FUNDECT, reuniram-se o Diretor Presidente, Prof. Dr. Davi José Bungenstab, Diretor Científico Prof. Dr. Márcio de Araújo Pereira, juntamente os coordenador do NUPESDD, Prof. Dr. Antonio Carlos Santana de Souza, coordenador do NEAD, Prof. Dr. Marlon Leal Rodrigues e o Prof. Me. Ricardo Leite de Albuquerque.


A proposta deste trabalho é identificar a eficácia ideológica dos interdiscursos (Pêcheux, 1997) sobre educação escolar indígena presentes nos discursos (Pêcheux, 2002) materializados por meio de redações realizadas por professores  e/ou gestores indígenas, participantes do Processo Seletivo para a Licenciatura Intercultural Indígena ocorrido em  2010 ,pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados)  a partir das  concepções de sujeito de Pêcheux , (1997),quando,  em "Semântica e Discurso",  afirma que o lugar do sujeito não é vazio, sendo preenchido por aquilo que ele designa de forma-sujeito, ou sujeito do saber de uma determinada Formação Discursiva (FD), levando em consideração o contexto discursivo e a situação histórico-social em que se deu a produção dos textos ,  as ideias de poder e  resistência advindas de  Foucault(1979) e a identidade desses professores, na perspectiva de Bakhtin (2006), como sendo   representação  imaginária, instaurada na memória discursiva( Pêcheux,1999), pois para os povos indígenas a questão da identidade é  algo forte e se mescla com cultura, com a tradição dos povos, com a preservação da língua de berço, mas , também ,com o desejo de acessar a “outra língua” ,a segunda língua  que é a portuguesa e,assim a identidade desse “eu” é estabelecida de forma complexa linguisticamente, ou seja, em um processo discursivo nas variadas esferas de suas atividades.

 

Este trabalho ainda objetiva desvendar os efeitos de sentido (Pêcheux, 1997) oriundos das redações no que concerne a como os professores indígenas entendem a qualidade da Educação Escolar Indígena imprimida na reserva, como percebem a valoração (ou não) de suas culturas, o ensino a partir da realidade indígena que vivenciam, a educação a partir da família, o ensino da língua ,a relação educação indígena e educação escolar, entre outras temáticas que surjam do corpus.

Pesquisadora: Doutora Nara Maria Fiel de Quevedo Sgarbi (UNIGRAN/UEMS/NEAD/NEF)

 

 

Supervisão de Pós-Doutoramento desenvolvida por Prof. Dr. Marlon Leal Rodrigues

 

 


 Profa. Dra. Marilia Vieira – supervisão de pós-doutoramento – NUPESDD/UEMS, supervisionada pelo Prof. Dr. Antonio Carlos Santana de Souza – UEMS/Campo Grandes-MS.


A Profa. Dra. Rosimar Regina Rodrigues de Oliveira (UEMS/FUNDECT/CNPq) apresenta a terceira etapa de sua pesquisa sobre a "A Marcha para o Oeste". A professora/pesquisadora ainda desenvolve atividades vinculadas à graduação e pós-graduação dos cursos de Letras da UEMS de Campo Grande-MS. Ainda atua nas atividades do NES - Núcleo de Estudos em Semântica do Acontecimento.

 

Resumo:

Os estudos iniciais sobre a significação na linguagem vêm sendo desenvolvidos desde a antiguidade em disciplinas como a filosofia e a retórica. Porém, conforme Guimarães (2005), após o marco de fundação da semântica como disciplina das significações, com Brèal (1883) e da publicação dos estudos de Saussure (1916), que culminou com a instituição da linguística como ciência, os estudos da significação se desenvolveram em diversas direções (o que pode ser observado, por exemplo, em Guimaraes, 2006; Pinto, 2012; Pires de Oliveira, 2012; Ferrarezi Junior e Basso, 2013).

Cada um dos estudos da significação desenvolvidos atualmente parte da consideração do tratamento da “língua” conforme estabelecido por Saussure, em detrimento da “fala”. Os estudos de Saussure apresentam a língua como um sistema de signos, cujo significado é o mesmo que “conceito”. A esse conceito é atribuída a noção de “valor”, que é estabelecida na relação de um signo com outros signos: “um signo só tem valor enquanto oposto a outro”.  Sendo que o significado de um signo é definido por ele ser o que os outros signos não são. Nessa direção, a relação de significação é estabelecida somente no interior do sistema que é a língua, fora da relação com o mundo (Guimarães, 2005; Pires de Oliveira, 2012).

Nessas relações de sentido apresentadas por Saussure (1915), ao estabelecer a língua como um sistema de signos, é excluído dos estudos da significação o referente, o mundo, o sujeito, e a história. Conforme Guimarães (2005) os estudos da significação, na atualidade, estão tentando inserir esses aspectos em seu objeto. Porém a  definição do objeto da semântica não é tarefa fácil. Conforme Pires de Oliveira (2012), é comum a afirmação de que o seu objeto é o “significado” das palavras e das sentenças, o que já não poderia conceituar a semântica da enunciação, por exemplo. A questão que se coloca, então, é que em qualquer abordagem é preciso primeiramente apresentar uma definição para o que é “significado”.

De acordo com a autora (idem) uma das dificuldades em apresentarmos uma definição para o significado está relacionada ao fato de que ele descreve situações de fala muito diferentes. Por exemplo: Qual é o significado de mesa? (significado de um termo); Qual é o significado dessa atitude? (significado de uma intenção não linguística); Perguntamos sobre o significado de um livro; o significado da vida; o significado do verde no semáforo; o significado da fumaça; e muitos outros.

Se essas questões todas se tornam um empecilho para a apresentação de uma definição para o “significado”, então há várias formas de defini-lo. Havendo, portanto, várias semânticas, cada uma elegendo sua noção particular de significado, respondendo diferentemente à questão da relação linguagem e mundo.

Desse modo, a significação é considerada como “uma relação entre elementos linguísticos”, entre as palavras na língua. Por exemplo: residência, casa, prédio tem relação entre si pela significação, mas não tem relação com carro, que teria relação com automóvel, caminhão, veículo. Estamos diante de uma posição estruturalista - para Saussure (1915) o significado é essa relação (por oposição) entre elementos linguísticos (signos).

Para além da compreensão da significação apenas como estrutura podemos considera-la como “uma relação entre elementos linguísticos e o mundo”. Desse modo a significação de casa é a sua relação com algo no mundo que é uma casa. Para essa posição deve ser considerado o sentido do enunciado, da sentença em que as palavras funcionam, considerando o que a palavra traz para a significação da frase.

“O que orienta a consideração da significação é a relação da frase, e das expressões que a compõem, com as situações no mundo às quais as frases se relacionam. A significação da frase são as condições nas quais ela é verdadeira”[1].

            A Semântica da Enunciação, herdeira do estruturalismo, parte da estrutura para analisar a “significação”. Essa Semântica combina a consideração da língua como estrutura, mais a colocação da língua em funcionamento pelo locutor, mais a relação do funcionamento da língua com suas condições sócio-históricas. Sendo a enunciação definida como o acontecimento no qual a língua funciona e, desse modo, constitui o sentido e, ao constituir sentido, constitui aquele que fala enquanto locutor e a seu interlocutor como destinatário[2] (GUIMARÃES, 1989, 1996, 2001, 2002, 2004, 2005).

            Conforme apresentamos acima, os domínios da Semântica são muitos e as abordagens da significação diferenciadas, pois cada proposta apresenta sua definição para esse termo. Assim, se por um lado, há uma diversidade de semânticas o que dificulta o estudo de todas elas, por outro, essa diversidade de estudos da significação permite uma maior compreensão do seu objeto. Na sequência apresentaremos o modo como a Semântica Formal aborda a significação.



[1] Essa questão será melhor abordada mais a adiante.

[2] A abordagem dessa teoria será melhor apresentada a seguir ao tratarmos da relação entre Semântica e Pragmática.


 

A proposta deste trabalho é investigar (refletir) a forma como “sujeitos” (ORLANDI, 2012), tidos como marginalizados ou marginais aos “discursos” (idem) circulantes na sociedade, se constituem e são constituídos a partir do “sentido” (PÊCHEUX,1999) de sua resistência às posições de consenso/estabilizadas, discurso do senso comum. Nesse sentido, os sujeitos participantes e inscritos, que na sua corporeidade ou discursivamente da “Marcha das Vadias” se apresentam como constitutivos/constituintes de um espaço material e simbólico de resistência discursiva a uma posição sujeito de consenso para a “discursividade” (ORLANDI, 2001) da mulher.

Nossa proposta pressupõe que as posições sujeito historicamente institucionalizadas são submetidas a constantes pressões que visam desestabiliza-las de um lado e ao mesmo tempo de outro no jogo das “tensões” (idem). Por outro lado, posições sujeito submetidas, no dizer de Orlandi (2012, p. 227) ao “processo de alienação”, resistem a esse processo. Se para Pêcheux (1999) era o “mau sujeito”, para Orlandi é o sujeito da resistência. 


A realização de uma pesquisa, dadas às devidas proporções, contribuirá para o surgimento de reflexões de rumos da intervenção profissional e perspectivas se abrem à medida que possibilita o levantamento de informações e percepções sob a ótica dos atores institucionais. Entre tantos aspectos um voltar para as próprias questões. Assim, o


Prof. Marlon Leal Rodrigues inicia o estágio supervisão de pós-doutoramento na UNEMAT de Cáceres. Irá desenvolver o projeto de pesquisa “DIGNÓSTICO NA ESCOLA: DA IDENTIDADE DO PROFESSOR À MEMÓRIA DIDÁTICA E FUNDAMENTOS” com a supervisão do Prof. Dr. Taisir Mahmudo Karin, professor do Programa de Pós-Graduação em Linguística da UNEMAT-Cáceres-MT.


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